Lucro Real: quando é obrigatório, como funciona e quando compensa
Este artigo faz parte do guia Planejamento tributário.
O Lucro Real tem fama de complexo — e é o regime mais exigente em contabilidade. Mas, para muitas empresas, é também o que paga menos imposto, porque tributa o lucro de verdade e permite aproveitar créditos.
Quem é obrigado
- Empresas com receita bruta total acima de R$ 78 milhões no ano anterior;
- instituições financeiras e equiparadas;
- empresas com lucros do exterior;
- empresas que usufruem de determinados benefícios fiscais;
- factoring e algumas atividades específicas previstas na lei.
As demais podem optar pelo Lucro Real.
Como funciona
IRPJ e CSLL
Partem do lucro contábil, ajustado no LALUR/LACS por:
- adições (despesas não dedutíveis, como multas punitivas e algumas provisões);
- exclusões (receitas não tributáveis, como certas equivalências patrimoniais);
- compensação de prejuízos fiscais de anos anteriores, limitada a 30% do lucro ajustado.
Alíquotas: IRPJ 15% + adicional de 10% sobre o que exceder R$ 20 mil por mês; CSLL 9% (em regra).
Trimestral ou anual?
- Trimestral: apuração definitiva a cada trimestre.
- Anual com estimativas mensais: recolhimentos mensais por estimativa, que podem ser suspensos ou reduzidos com balancetes que mostrem lucro menor — útil para empresas com resultado irregular.
PIS e COFINS não cumulativos
Alíquota de 1,65% + 7,6% = 9,25%, com créditos sobre mercadorias para revenda, insumos, energia elétrica, aluguéis de imóveis, depreciação de máquinas e outros itens previstos em lei.
Quando o Lucro Real compensa
- Margem baixa (comércio de alto volume, como supermercados) — veja regime de tributação para supermercado;
- empresas com prejuízo ou resultados oscilantes;
- muitas compras e insumos que geram créditos de PIS/COFINS;
- empresas que querem compensar prejuízos acumulados.
Exigências
Contabilidade completa e rigorosa, ECD, ECF, EFD-Contribuições, SPED Fiscal, DCTF, DCTFWeb e EFD-Reinf. O custo de compliance é maior — e deve entrar na comparação.
Lucro Real × Presumido × Simples
Veja o comparativo em como escolher o regime tributário e entenda o Lucro Presumido.
Exemplo: comércio de margem baixa
Um atacadista fatura R$ 2 milhões por mês com lucro líquido real de apenas 2%. No Lucro Presumido, IRPJ e CSLL seriam calculados sobre margens presumidas de 8% e 12% — bem acima do lucro de verdade. No Lucro Real, os tributos incidem sobre os 2% efetivos, e o PIS/COFINS não cumulativo gera créditos sobre as compras de mercadorias. Mesmo com mais obrigações, o Lucro Real tende a ser o regime mais econômico nesse caso.
Perguntas frequentes
Lucro Real paga imposto se a empresa teve prejuízo?
Não paga IRPJ e CSLL sobre o resultado negativo. O prejuízo pode ser compensado em anos seguintes, com limite de 30% do lucro.
Pequena empresa pode optar pelo Lucro Real?
Pode. Em alguns casos — margem baixa ou muitos créditos —, é o regime mais econômico.
O que é LALUR?
É o Livro de Apuração do Lucro Real, hoje escriturado digitalmente na ECF, onde constam adições, exclusões e compensações.
Quais créditos de PIS/COFINS são permitidos no Lucro Real?
Entre outros, compras de mercadorias para revenda, insumos, energia elétrica, aluguéis de imóveis e máquinas usados na atividade e depreciação de bens do ativo, conforme a legislação e a jurisprudência sobre o conceito de insumo.
Conclusão
O Lucro Real exige contabilidade de qualidade, mas recompensa com imposto calculado sobre o lucro de verdade. A Luzitana avalia se ele é o melhor regime para você no planejamento tributário.
Conteúdo informativo, revisado pela equipe da Luzitana Contabilidade. As regras tributárias mudam com frequência: consulte um contador antes de tomar decisões para a sua empresa.
Fontes oficiais: Receita Federal (abre em nova aba), Portal SPED (abre em nova aba).
